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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Projeto premiado transforma periferia de São Paulo

Conjuntos habitacionais e parque com quadras de futebol, pista de skate e decks de madeira levaram lazer e melhor condição de vida para moradores






Ruas asfaltadas, encanamento, moradias dignas e opções de lazer. Coisas básicas às quais todos os cidadãos deveriam ter acesso. Mas para aproximadamente três milhões de paulistanos, que vivem em alguma situação irregular, elas só se tornaram realidade nos últimos anos. Projetos de reurbanização desenvolvidos no Complexo Cantinho do Céu (que abrange as comunidades Parque Residencial dos Lagos, Cantinho do Céu e Gaivotas), na zona sul a capital paulista, e na Favela Nova Jaguaré, na zona oeste, transformaram a paisagem e a vida dos moradores desses lugares.



Foto: Marcelo Rebelo


Imagem aérea mostra parte do Cantinho do Céu depois da reurbanização



Premiado na Bienal de Quito (3° lugar), na Bienal de São Paulo (1°) e exposto em outras bienais, como a de Veneza, o projeto Cantinho do Céu une residências, infraestrutura e áreas de lazer e começou em 2008, por meio de uma parceria entre o escritório Boldarini Arquitetura e Urbanismo e a Prefeitura. “Perto do que era antes, nós estamos no paraíso”, resume Vera Lúcia Basália, integrante da Associação de Amigos do Parque Residencial dos Lagos há 21 anos e moradora do local há 23.

São Paulo em números: Veja os 458 anos de São Paulo em números

A comunidade ganhou, além de infraestrutura, um parque na beira da Represa Billings com espaços verdes, decks de madeira, praças, playground para as crianças, quadras de futebol e vôlei de areia, rampas de skate, quadra de futebol sintética, academia de ginástica para a terceira idade e um espaço de cinema ao ar livre.

O arquiteto Marcos Boldarini e sua equipe ganharam a licitação e começaram a estudar o que poderia ser feito para melhorar a vida de cerca de 10 mil famílias, em uma área de 1,5 milhão de metros quadrados, então inovaram na criação do parque.

“Todos são moradores da mesma cidade e há um déficit que precisa ser superado. Temos 1.600 favelas em São Paulo. Vimos a possibilidade de construir um parque na margem melhorando as condições de risco e os déficits”, explica Boldarini. Até o momento, 1,5 Km de parque foram construídos e já são usufruídos pela população.



Foto: Daniel Ducci


Pessoas fazem ginástica em deck de madeira no parque do Cantinho do Céu

Vera conta que a rotina e o comportamento dos moradores mudaram muito desde 2009. “As pessoas veem o parque aqui embaixo, as ruas asfaltadas e decidem que a casa delas precisa ser bonita, por isso começaram a fazer reformas nas fachadas.”

A líder comunitária, conhecida e respeitada por todos do local, abri o sorriso quando passa por uma área de deck e diz que ali idosos fazem caminhada e exercícios, crianças andam de bicicleta e pessoas param para admirar a vista – a represa Billings com garças e patos e, ao longe, o Rodoanel. “Trouxeram lazer para a periferia. Agora o povo tem onde passear, isso de fim de semana enche.”

Para o projeto ser viabilizado, 25% das moradias tiveram que ser removidas das margens da represa. Essas eram as casas que estavam na área considerada de risco e todos os moradores foram realocados. “A remoção das famílias foi um pouco mais difícil, mas depois que as pessoas foram percebendo o benefício e como o local foi se transformando, o que a gente tem hoje de depoimento é absolutamente sensacional e muito sedutor. Eles têm uma sensação de orgulho, de pertencer à cidade”, explica Boldarini.

Segundo o arquiteto, os materiais usados na reurbanização são escolhidos de forma a aliar preço barato com qualidade e adequação ao que foi visto na comunidade. O uso da madeira é algo não usual em reurbanizações, mas Boldarini conta que teve a intenção de atender ao que via: crianças pulando na água, em um clima de praia.

O projeto deve ser concluído no fim deste ano. No total, serão 7 km de parque, unindo todo o complexo Cantinho do Céu. No entanto, a maior parte dos moradores já pode andar nas ruas asfaltadas e ficar despreocupada com as chuvas, já que a infraestrutura foi concluída em 90% do espaço.



Foto: Daniel Ducci


Novo conjunto habitacional da Favela Nova Jaguaré



O mais novo projeto para esse setor é o conjunto habitacional, no Jaguaré. Ele reúne 427 apartamentos e 132 casas sobrepostas, além de uma área comum de lazer e convivência. A primeira parte já está concluída e foi construída depois que a Prefeitura desapropriou uma área industrial de mais de 20 mil metros quadrados. A segunda parte já foi aprovada e deve ter início ainda em 2012.

Veja galeria de fotos do Cantinho do Céu e da Favela Nova Jaguaré:



Artigo: 'Aqui é a casa que escolhi pra viver e ser feliz', diz recifense sobre SP

Jornalista que nasceu em Pernambuco diz que em SP é possível 'trabalhar com o que quiser' e 'ser o que quiser'




São Paulo é ideal porque me deixa fugir de vez em quando. É a cidade que me leva a um almoço baiano na Casa da Bá, a um jantar mexicano na Casa dos Cariris. É a cidade que me faz ir embora só pra descobrir, sempre e mais uma vez, que aqui é a casa que escolhi pra viver e ser feliz.

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Foto: Arquivo pessoal


Daniela Arrais quer 'Mais amor, por favor?' para São Paulo

É aqui onde o verão parece um filme de terror, cheio de raios, trovões e tempestades, que a gente pode ser o que quiser, trabalhar com o que quiser, viver como quiser. É esse lugar que acolhe todo mundo e nos ensina que a vida pode até ser difícil, mas é sempre possível e tantas vezes deliciosa.

São Paulo ideal é aquela em que as frases pichadas nos muros viram verdade absoluta. Mais amor, por favor? A gente quer. O amor é importante, porra? Vai, fala assim mesmo, pra ver se a gente aprende. Não, Criolo, não deixa a gente triste dizendo que “não existe amor em SP”. Se todo mundo picha, fala e quer, que assim seja.

* Daniela Arrais é recifense, jornalista, faz o Don’t Touch My Moleskine (www.donttouchmymoleskine.com) e, claro, também acha que pra ser ideal São Paulo precisa de preço justo pra tudo, transporte público eficiente, zero violência e política que preste.

‘São Paulo tem potencial para ser uma das melhores capitais do mundo’

Especialista em recursos hídricos lamenta como os rios foram tratados na capital paulista. Benefícios seriam muitos para os moradores e visitantes




A cidade de São Paulo já é reconhecida por outros países como uma importante capital financeira. Hoje, completando seus 458 anos, os números da maior cidade no Brasil chamam a atenção. Mas, segundo o professor da Escola Engenharia de São Carlos da USP, Eduardo Mario Mendiondo, com um eficiente projeto de revitalização de seus rios, São Paulo poderia impressionar ainda mais e se tornar umas das melhores capitais do mundo.

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Foto: AE


Vista do Rio Pinheiros, em São Paulo, cheio de lixo e garrafas plásticas

“Com um projeto claro e metas objetivas, a potência dos rios Tietê e Pinheiros poderia ser recuperada em 20 anos. São Paulo tem o potencial de ser uma das melhores capitais do mundo”, estima o especialista em recursos hídricos. Para Mendiondo, o renascimento dos rios Tietê e Pinheiros poderia trazer inúmeros benefícios.

A possibilidade de embarcações navegarem pelas águas hoje poluídas e a construção de um hidroviário são vistas como opções para desafogar o caótico trânsito da capital. Esses resultados são possíveis, porém não seriam os únicos. “A qualidade de vida seria a mais beneficiada com as mudanças e o turismo urbano ganharia um salto expressivo”, explica o professor.

Para que um dia os rios Tietê e Pinheiros se tornem navegáveis novamente e aptos para banho, o poder público precisa frear um processo de destruição da biodiversidade que foi iniciado há quatro séculos. Mendiondo afirma que a presença de rios era um problema nos séculos 18 e 19. “Os rios urbanos foram tratados como obstáculo da expansão e, por isso, foram enterrados ou extintos. Muitos paulistanos não sabem quantos rios estão passando embaixo das calçadas e casas”.

Leia a entrevista e saiba como São Paulo pode recuperar seu potencial hidroviário:

iG: Qual é o potencial hidroviário de São Paulo e sua atual situação?
Eduardo Mario Mendiondo: São Paulo é uma cidade de contrastes. A capital paulista é uma das cidades mais povoadas do mundo e a mais rica em biodiversidade por km2. E isso não está ligado apenas para fauna e flora, mas também a presença de rios grandes, pequenos e médios. Atualmente nos encontramos em uma situação onde os menores rios foram desaparecendo – alguns preenchidos, entubados e até enterrados. Os sobreviventes são os rios maiores, no caso de São Paulo, os rios Tietê e Pinheiros.

iG: Os rios Tietê e Pinheiros são um desafio para a cidade. Todas as intervenções já realizadas até hoje foram benéficas?
Eduardo Mario Mendiondo: Eles [Tietê e Pinheiros] só não foram totalmente removidos ou enterrados pelo tamanho que possuem. A primeira intervenção tinha como objetivo retificar os rios. Isso reduziu e muito potencial deles. A biodiversidade indica rios membrosos e com curvas generosas e as intervenções retiraram isso. As margens retas e de concreto funcionam como uma ponte de safena para o rio. Pode funcionar, mas por não ser algo natural, retira e praticamente elimina sua característica principal.

iG:O projeto da construção de um hidroviário pode ser uma realidade para São Paulo?
Eduardo Mario Mendiondo: Há aproximadamente quatro séculos, os rios que ainda conhecemos permitiam a navegabilidade e banhos. Esse potencial hidroviário pode ser recuperado. Mas isso exige um duro trabalho e a eliminação de um fator crucial: a poluição. Do que adianta conseguir navegar no Tietê e ter que usar máscaras devido ao forte mau cheiro? Precisamos de programas de revitalização mais ambiciosos em termos de longo prazo. O atual projeto municipal peca por somente considerar poluição o que já está no rio e não o que chega nele. Com um plano de ação com metas focadas no tratamento do esgoto (doméstico, industrial e pluvial), os resultados seriam maiores. Um projeto que ignora isso já nasce condenado. Ele pode apresentar resultados no início, mas perderá o fôlego com o tempo.

iG: Porque não é feito e como deveria ser organizado?
Eduardo Mario Mendiondo: É uma ideia cara, mas temos recursos e tecnologias para isso. Com um projeto de revitalização bem estruturado, subsídios cruzados poderão ajudar a financiar o projeto – como a reciclagem do esgoto doméstico, por exemplo. Esse método já é utilizado por outros países no mundo. O esgoto doméstico é riquíssimo em nutrientes e, durante o processo de tratamento, o adubo produzido pode ser comercializado.



Foto: Arquivo pessoalAmpliar


O professor Eduardo Mario Mendiondo

O surgimento de um projeto eficiente pede a criação de metas objetivas e transparentes que envolvam a população. O projeto atual não tem essa visão. Do jeito que está, sem participação e clareza, os resultados podem aparecer somente em 40 anos, no mínimo. A participação popular pode ser fundamental para agilizar esse processo. O poder público precisa se esforçar para mudar o paradigma cultural. Os paulistanos precisam ver o rio como uma via de desenvolvimento. Hoje, a via de desenvolvimento para eles é a marginal.

iG: O que o Brasil ainda não tem e que poderia ser útil para avançarmos na revitalização dos rios?
Eduardo Mario Mendiondo: Países como França e Estados Unidos reconheceram a importância do tratamento de todos os materiais que vão para o rio. Atualmente, tratamos doméstico e industrial. E o pluvial? Precisamos de uma estação somente para tratar a água da chuva. A contaminação do rio não é só pela indústria como muitos pensam. A enxurrada é pura poluição.

Como disse anteriormente, temos a tecnologia necessária para monitoramento e tratamento desse material. Órgãos como a Sabesp e a Cetesb têm a tecnologia necessária para esse trabalho. Vale pensar que não adianta apenas copiar Paris, na França. Nossa demanda é pelo menos duas vezes maior que a deles. O nível de chuva que temos e subtropicalidade cobram mais do País.

Veja o antes e depois de quatro pontos históricos do centro de São Paulo



A cidade de São Paulo completa 458 anos nesta quarta-feira (25). Para comemorar a data, o iGfotografou novamente, na véspera do aniversário, quatro importantes pontos da cidade de São Paulo e comparou com imagens antigas. Veja o antes e depois da rua 15 de Novembro, Catedral da Sé, Estação da Luz e Vale do Anhangabaú.

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Capital paulista completa 458 anos nesta quarta-feira








Artigo: Carteiro sonha com São Paulo com mais transporte e menos lixo

Um dos carteiros mais antigos de São Paulo relata o carinho pela cidade que nasceu e que conhece tão bem




"Às 6 horas da manhã, o relógio desperta. Levanto e vou para o meu trabalho. Sou carteiro. Pego o trem, que não tem problema de superlotação. Que bom seria se São Paulo inteira fosse assim e aumentasse a extensão das linhas de trens.

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Chego ao trabalho, dou bom-dia aos meus colegas, preparo meu serviço, pego minha bolsa e vou para o bairro do Grajaú, na zona sul, onde entrego correspondências há 37 anos.



Foto: DivulgaçãoAmpliar


O carteiro Rubens Mendes

Estamos no verão e chove em São Paulo. Vejo a população não colaborar, deixando lixo nas ruas, o que entope os bueiros, causando inundação. Espero que um dia as pessoas tenham consciência deste problema e contribuam para que a cidade não tenha enchentes.

Com ou sem chuva, sigo minha rotina de carteiro. O que alegra meu dia é a boa recepção dos destinatários. O latido dos cachorros já não me assusta mais, parece que eles estão me desejando um bom dia de trabalho. Como a cachorrinha Mel, que me espera todos os dias no portão.

Que bom viver e trabalhar em São Paulo, cidade onde nasci. O dia 25 de janeiro é uma dupla comemoração para mim: aniversário da nossa metrópole e também meu dia, pois comemoramos nessa data o Dia do Carteiro”.

* O carteiro Rubens Mendes, de 58 anos, é paulistano, casado, pai de cinco filhos e avô de uma netinha. Trabalha nos Correios há 37 anos e, nas horas vagas, é compositor e intérprete de samba enredo.

Artigo: O amor do torcedor pela cidade de São Paulo

Auditor participou da criação da Gaviões da Fiel e atualmente é diretor do Corinthians. Ele relembra sua infância e conta como coleciona histórias da cidade






"Cheguei a este município no colo de meus pais, vindo de São José dos Campos, e fui criado como um verdadeiro paulistano. Cresci no Jardim São Paulo, onde passava inúmeras tardes preparando pipas para brincar. Conseguia até vender algumas para os amigos, chegando a preparar 25 unidades por dia. Graças a essa verdadeira linha de produção, arrecadei meus primeiros trocados. Resolvi trabalhar também como coroinha só para vender canetas no fim da missa. A paixão pelos números era evidente. Não à toa me tornei auditor.



Foto: Futura PressAmpliar


Raul Corrêa da Silva participou da criação de duas das principais torcidas do Corinthians

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Foi em São Paulo que conheci o grande amor da minha vida, o Corinthians. Era tão fanático que acompanhava todas as partidas, o que me permitiu conhecer outros cantos da cidade. E junto com 19 colegas, fundei a Gaviões da Fiel, e mais tarde, com mais três, a Camisa 12 - as duas principais torcidas organizadas do clube.

Casei, criei filhos, abri minha empresa de auditoria, hoje localizada em um edifício tradicional da cidade de São Paulo, antiga sede do jornal "O Estado de S.Paulo". Mais do que colecionar alegrias, virei um colecionador de histórias da cidade. De revistas e jornais, a artigos e fotos da Revolução Constitucionalista de 32, do aniversário do Quarto Centenário, cartas de políticos. Até obras de Jânio Quadros ocupam espaço na minha residência, construída em 1954 (ano de título para o Timão). Aliás, fui um militante aplicado da Juventude Janista, no início dos anos 80.



Foto: DivulgaçãoAmpliar


O auditor Raul Corrêa da Silva

Nessa minha casa, foram muitas noites e madrugadas para abraçar outra paixão, ao lado de Zé Rodrix, Belchior, Walter Franco, Guarabyra, Carlinhos Vergueiro, Celso Viáfora e Tavito, entre outros. Hoje, conservo com muito apuro um acervo de 6 mil discos e 55 mil músicas. Desse material já nasceram, dois livros.

Por essas e outras, não saio daqui por nada e quando entro em férias, não vejo a hora de retornar para apreciar toda essa agitação. É uma cidade mágica, acolhedora, afinada no futebol e craque na música. São Paulo só não é perfeita por um único detalhe: não se chama Corinthians."

*Raul Coprrêa da Silva , de 57 anos, iniciou sua carreira em 1976, como estagiário da Arthur Andersen. Atua desde 1980 no setor de auditoria e consultoria empresarial. Atualmente é diretor financeiro do Corinthians e apaixonado pela cidade de São Paulo.